Agente de viagens: cuidado com os millennials.

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Bruno Talevi - CEO Jooce Box

De tempos em tempos vemos surgir uma nova segmentação de mercado “quente” que promete mudar a sua agência de viagens para sempre.

Foi assim com a nova classe média brasileira a alguns anos atrás, agora é a vez dos millennials: geração Y.

Atraídos pela incrível quantidade de pessoas dispostas a pagar para ficar por dentro das novidades, uma infinidade de profissionais dos mais diversos segmentos se movimenta atrás de uma fatia do bolo.

Ao digitar o termo no Google ficamos espantados com a quantidade de especialistas que tratam o assunto.

A descoberta destes novos segmentos sempre faz nascer em sua órbita um mercado muito maior: publicações; mídia; palestrantes; cursos; consultores, livros etc.

No final das contas o mercado de conhecimento teórico sobre o tema se torna tão relevante quanto o tema em si.

Hoje já descobrimos que a nova classe média não foi algo tão positivo assim: aquele mar de oportunidades produziu novos turistas, mas também forçou uma redução dos preços e aumento dos custos de venda (você precisa parcelar mais, disputar mais, anunciar mais e ganhar menos).

A nova classe média praticamente se foi, mas os custos que abraçamos para atende-los ficaram. Ao meu ver tudo isso foi negativo sob o prisma dos negócios.

Agora a onda são os millennials, o novo queridinho dos palestrantes que lucram ao vender conhecimento sobre esta nova oportunidade em formato de segmentação.

Eu não sou contra conhecimento, muito menos avesso a quem os transmite ou contrário ao estudo das tendências e suas possibilidades, mas particularmente eu prefiro ter cautela antes de tomar decisões baseadas em informações que estão na hype.

No caso dos millennials, tenho propriedade para opinar pelo simples fato de que eu e todos os meus amigos fazemos parte dessa galera.

E fazendo parte dessa galera, não me vejo em 99% das características presentes em publicações sobre o tema e tampouco sou um ponto fora da curva, pergunte os millennials que você conhece.

Millennials não ligam para estabilidade: você já viu como andam disputados os concursos públicos e quantos millennials participam?

Millennials só trabalham por significado: acredite, essa geração ainda gosta de dinheiro.

Millennials preferem interagir com locais e se hospedar com locais (AirBnB etc): eu não suportaria viajar e ficar no apê de um estranho, pelo menos eu e meus amigos damos preferência para o bom e velho conforto e privacidade de um hotel.

Millennials consultam blogs antes de comprar: millennials fazem isso, mas todas as outras gerações também o estão fazendo, em especial quando o assunto é viagem.

Millennials utilizam smartphones: me apresente um não-millennial sem smartphone.

Me pergunto de onde vem todo este fascínio pela segmentação que, para piorar, nos coloca no caminho contrário da personalização.

O grande problema da segmentação é que ela parte do princípio de que todas as pessoas com algumas características em comum terão tudo em comum, como se fossem produtos feitos em série: mas pessoas não funcionam assim.

A linha que separa comportamentos similares daqueles completamente divergentes é muito tênue, se é que ela existe no complexo universo humano.

Não estou dizendo aqui que você deve se fechar para o conhecimento envolvendo esta nova geração, existe sim muita coisa bacana a se aprender, acredito apenas que existem maneiras mais amplas de enxergar o mundo.

Cada pessoa Millennial, Baby Boomer, X ou Z é um universo complexo, possui um background único, visões de mundo singulares e desejos individuais que a separam radicalmente de sua geração.

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Empresas capazes de desvendar os desejos e expectativas de cada indivíduo serão sempre as preferidas das pessoas, não importa a que geração pertençam.

Como agente de viagens eu não tenho dúvidas de que você já atendeu velhinhos divertidos, excêntricos e aventureiros, novinhos ranzinzas e conservadores, cinquentões sociáveis e abertos a novas experiências e jovens que não queriam uma viagem badalada.

Uma pesquisa da ASTA (American Society of Travel Agents) descobriu que millennials são mais propensos a comprar e indicar os serviços de um agente de viagens, a chamada para a matéria que divulga a pesquisa evidencia o motivo: “Assim que começam a ganhar dinheiro, os millennials estão dispostos a investir no tratamento personalizado de um agente de viagens”.

Pense nisso.

Ps: A chamada da matéria ainda complementa: “eles também estão cansados do aborrecimento que é comprar viagens sozinhos e online.” Aí lembrei deste artigo aqui (clique para ler), talvez você queira dar uma olhada.

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