Economia colaborativa: risco ou oportunidade

Paulo Rezende, diretor comercial da Amadeus Brasil

Paulo Rezende, diretor comercial da Amadeus Brasil
Publicidade

Apesar da compreensível apreensão que causa em diversos modelos de negócios até então consolidados, a economia colaborativa é um mundo ainda não totalmente desvendado que vai revolucionar a maneira de se fazer negócios e até modificar as formas de produção em diversas áreas, podendo ter impacto significativo nas corporações e até na própria organização da sociedade.

O que já ficou claro é que ela veio para ficar. Mas ao mesmo tempo em que coloca pressão sob alguns negócios, também tem de ser vista como oportunidade. Na verdade, rupturas de modelos de negócios sempre ocorreram desde que a sociedade capitalista se organizou. A Revolução Industrial, por exemplo, causou grande impacto sobre o artesanato, até então forma predominante de se produzir bens. O artesanato, contudo, resiste há mais de dois séculos se reinventando e tendo adeptos e profissionais em todo o mundo.

Quer um exemplo na indústria das viagens? Durante muito tempo, as viagens marítimas foram a única forma de um passageiro trocar de continente. Era um negócio altamente lucrativo para as primeiras companhias de navegação. A seleção brasileira, por exemplo, viajou de navio para algumas de suas primeiras Copas do Mundo.

Quando a viagem de avião se massificou, tomou rapidamente 100% de todo o Market Share no transporte intercontinental. O negócio dos grandes navios sofreu um forte abalo, mas soube evoluir e se diversificar. Com o tempo, as companhias pararam de pensar em transportar pessoas e transformaram os cruzeiros em máquinas de entretenimento que atraem milhões de pessoas por ano. Hoje é muito comum, inclusive, a união dos dois modelos. Por exemplo, o pacote de um cruzeiro pelo Caribe, que antes pede um transporte aéreo até a América Central.

A diferença do passado para hoje é a de que as rupturas são mais frequentes, mas também mais efêmeras. Não se sabe se uma moda que “pegou” de uma hora para a outra vai se sustentar. Mas as experiências mostram que os ganhadores são sempre aqueles que não fogem das mudanças, mas tentam se adaptar a elas ou, melhor ainda, criar serviços ou modelos de negócios que tirem proveito delas.

A indústria das viagens em especial está sendo impactada neste momento por alguns modelos “disruptivos”. É importante abrir dois debates: um referente às formas de se colocar as diferentes concorrências em condição de igualdade, por meio de alguma uniformidade na regulamentação dos serviços – quem sabe aproveitando este momento para simplificar a vida de quem empreende – , e outro sobre como integrar essa economia compartilhada ao atual modelo de viagens. Da mesma forma que aviões e cruzeiros convivem harmoniosamente, vejo que há espaço para todos no ecossistema.

Ciclos econômicos à parte, a tendência de médio e longo prazo para a indústria de viagens é de crescimento. Ainda há, no Brasil e no exterior – majoritariamente nos países em desenvolvimento, uma enorme demanda reprimida. Nessa grande massa de clientes, haverá o buscador de preço, o de conforto e o híbrido. Haverá quem usará Uber ou Cabify e quem pedirá táxi ou alugará um veículo. A diversificação das formas de se obter receitas e um alto investimento em tecnologia serão os dois ingredientes para o sucesso das empresas do setor de viagens nesse ambiente competitivo.

Vale a pena ver a economia colaborativa como oportunidade, pois ninguém sabe de onde virá a próxima grande ideia. Que tal vir de você?

DEIXE SEU COMENTÁRIO